Sempre fui concurseiro. Desde os meus 18 anos minha mãe (funcionária pública federal, aposentada atualmente) me incentivava a prestar concursos públicos na intenção de ajudar a tornar-me independente. A questão é que eu nunca estudei. Sempre achei que iria passar na maciota e que, apesar dos maus resultados em algumas provas, mais cedo ou mais tarde eu seria aprovado.
Enfim, saí da casa da minha mãe com 23 anos, desempregado e com apenas um curso superior no currículo sem nenhuma experiência profissional na área. Meu estágio foi ridículo; atuei como digitador apenas para formalizar meu documento de estágio e conseguir minha formação. Consegui um emprego como designer gráfico em uma loja de fotografias perto de casa. O dono da loja me deu a oportunidade de aprender o ofício à medida em que trabalhava. Com o tempo fui galgando outros empregos até chegar bem próximo de onde queria. Cheguei a ser professor de programação para cursos técnicos, porém não era verdadeiramente apaixonado pela carreira de professor, apesar de gostar bastante e até mesmo ser reconhecido por meus colegas e alunos, modéstia à parte.
A propósito, sou analista de sistemas.
Tive uma desventura em meu último emprego. Arrisquei tudo por uma vaga como programador dentro da instituição onde trabalhava. Achei que, se mostrasse a todos a minha capacidade (técnica e ética) como profissional, teria uma oportunidade de ser elevado a uma função mais próxima da ocupação que eu sempre almejei.
Aproveitei uma brecha no sistema de gestão de documentos da instituição e, intencionalmente, tentei alterar a senha do administrador do sistema, apenas na intenção de mostrar que era capaz. Entretanto, eu havia pressuposto que o administrador estava usando um determinado hash de senha, porém meu palpite estava errado e, na tentativa de mudar a senha (através de um simples ataque por SQL Injection) eu esqueci de atribuir a cláusula da condicional WHERE no comando UPDATE, o que fez com que isso alterasse a senha de TODOS os usuários do sistema.
Enfim, a merda já estava feita e eu fiquei pensando no que faria para resolver a situação. Sinceramente, eu tinha tanta fé que jamais iriam me descobrir (pela própria incompetência da equipe de gestão de tecnologia da informação da instituição), que me questionei por alguns instantes nas conseqüências que o ato de avisar ao administrador do sistema geraria e também se eu não o fizesse... Detalhe: o diretor da equipe era meu ex-professor.
Pensei por muito tempo. Muito tempo mesmo. Cheguei a ficar quase 4 horas ininterruptas imaginando o que poderia acontecer. No fim das contas minha consciência pesou. Sou cristão devoto e acredito que nós, seres humanos, não podemos e nem mesmo conseguimos fazer as coisas certas sempre, mas podemos assumir os nossos erros, pedir perdão e voltar atrás.
Não sou um hacker (apesar do termo ter sido popularmente vulgarizado). Possuo pouquíssimo conhecimento na minha área e tinha dado a sorte (ou o azar) que aquelas rotinas feijão-com-arroz que eu havia aprendido semanas atrás para invadir o sistema haviam dado certo.
Bom, pra encurtar a história, eu enviei um email pro cara e ainda fui um pouco abusado sugerindo minha contratação como colega deles. Realmente eu estava me arriscando... Mas, para quem conhece os famosos Axiomas de Zurique, eu estava confiante porque sabia o que fazer caso o pior acontecesse. E acreditem, o pior aconteceu!
Fui pro olho de rua, com uma graninha satisfatória no bolso e com a moral reduzida a quase nada.
Nessas horas a grana não compensa a baixa auto-estima que a gente sente mas, bola pra frente, a vida continua...
Tentei prestar mais alguns concursos e acertei a trave. Fiquei em 3º colocado (cujo desempate foi em português, pois havia empatado com o 1º e 2º colocados) em um concurso para Analista de Sistemas no estado onde moro. Havia estudado pouco e fiquei extremamente frustado, pois não dei a menor atenção para português, mesmo sabendo que era o primeiro critério de desempate.
Foi aí que eu notei que tinha conhecimento e disposição suficientes para dar uma reviravolta na minha vida por completo.
Eu sempre fui ávido por livros técnicos em informática e sempre me considerei auto-didata, especialmente para desenvolvimento em Web. Sou apaixonado por Web Design e me tornei Web Designer sem fazer qualquer curso de especialização ou extensão. Apenas tenho interesse por livros. Comprava uns dois livros a cada semestre e devorava-os, ao mesmo tempo que tirava minhas dúvidas em inúmeros fóruns de discussão pela internet e colocava tudo em prática.
Outro detalhe importante: estou usando o Blogger apenas como uma ferramenta mais ágil e gratuita pra difundir minhas idéias; na realidade estou reformulando meu portfolio e devo colocá-lo no ar em breve.
Bom, o fato é que, eu sempre acreditei ser capaz de aprender e assimilar as coisas com uma certa rapidez, e notei que faltavam algumas características em minha vida para que realmente pudesse ter o sucesso profissional tanto almejado por mim. Dentre essas características eu acabei descobrindo a primordial: Autodisciplina.
Fiz aquelas pesquisas básicas sobre a palavra no Google e encontrei alguns sites bastante interessantes, alguns até com conteúdo copiado e colado de outros.
Resolvi colocar em prática algumas dicas e tomei as seguintes decisões na minha vida:
- Levantar cedo todos os dias (ou pelo menos me esforçar ao máximo em fazer tal coisa);
- Estabelecer itinerários de ações, no sentido de realizar tarefas em pequenas partes, para conseguir alcançar determinadas metas pré-estabelecidas;
- Me esforçar ao máximo em evitar a procrastinação (delonga, adiamento, o famoso deixar pra amanhã o que não vai fazer hoje);
- Reservar uma hora por dia (de preferência logo após acordar) para estudar a Bíblia Sagrada, meditar sobre seus ensinamentos e colocá-los em prática durante o dia;
- Cumprir com meus compromissos e estabelecer algumas metas para minha vida;
- Organizar minhas metas por graus de prioridade e arrolar possíveis ações a serem realizadas com o objetivo de alcançá-las;
- Traçar estratégias de escape, caso ocorram algumas ações frustradas repetidas vezes;
- Rever constantemente as metas e as ações realizadas para avaliar os pontos positivos e negativos, e o que deve ser reestruturado;
- Calcular os tempos necessários a serem gastos com cada atividade em particular, objetivando um melhor aproveitamento do tempo disponível diariamente;
- Esforçar-me sempre, mesmo estando cansado, procurando acreditar que no fim das contas a recompensa é certa.
Hoje fico por aqui, após relatar em alguns parágrafos essa breve e proveitosa experiência que tive. Mas asseguro a todos que puderam ler esse texto até aqui que eu trarei excelentes notícias pelos próximos dias...
Grato a todos!

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